O que não tem contam sobre inovação, tecnologia e quase-soluções

O que não tem contam sobre inovação, tecnologia e quase-soluções

Este é um artigo leve e com o desejo de trazer reflexões ao leitor. Nós estamos sugados pela era da tecnologia. Até mesmo nossa forma de humanizar as coisas parece deter certa ciência dedutiva, numa deliberação constante.

A tecnologia deve ser compreendida não somente sob a perspectiva do capital, mas concluir no sentido profundo que possui para gerações vindouras. Sem sombra de dúvidas, a tecnologia conta com dois públicos, os entusiastas e os agressores.

A contra tecnologia nos parece impossível. O que propomos é pela reinterpretação do seu papel em sociedade, recolocando o capital não vivo a serviço do capital vivo; isto é, a tecnologia não é um fim em si mesmo, mas um meio de afirmação dos ideais e valores da história humana e seus rumos adiante.

Ora, nas palavras de Erich Fromm: O mais alto valor é o progresso tecnológico? Ou não será mais certo que o mais elevado valor seja o homem[1]?

 

A TECNOLOGIA COMO QUASE-SOLUÇÃO

  A compreensão de que a tecnologia é uma quase-solução deve remeter o leitor a proposta de Eugene SCHWARTZ quando apresentou seus três pontos que regem a civilização tecnológica[2].

Nós destacaremos o segundo para compreender a quase-solução: – “O atual avanço científico e tecnológico deve conduzir ao ideal da eficiência absoluta”.

A eficiência é polêmica, porquanto cada grupo humano, a partir de suas necessidades e interesses tem uma diferente noção de eficiência.

Um exemplo que o autor cita são os das fábricas que, buscando rendimento e eficiência, são altamente prejudiciais ao meio ambiente, a vida comunitária, por vezes colocando uma cidade inteira em sinistra colaboração com a degradação ambiental.

Não se pode esquecer que a eficiência neste exemplo é somente da fábrica, sequer raciocinando o impacto dos resíduos lançados em rios vizinhos, no ar, os quais representam uma ineficiência dispendiosa e séria com relação à comunidade.

A eficiência absoluta que a tecnologia pretende comercializar, num rodeio propagandístico são sempre quase-soluções.

Quando um problema recebe a solução, o próprio processo de solucioná-lo apresenta novos outros problemas.

 

O EXEMPLO DA AVIAÇÃO E OS MOTORES À JATO

 

As heranças residuais dos problemas que não são totalmente solucionados são parte de qualquer inovação em meio a tecnologia.

Quando a aviação era basicamente sustentada por aviões a hélice, um grande problema se apresentou para ser solucionado: a velocidade desses aviões não podia ser ideal porque a carga que tinham que erguer para o ar era enorme principalmente porque os motores e as hélices contribuíam com uma grande parte do peso. Na tentativa de solucionar este problema, chegou-se aos aviões de propulsão a jato. No entanto, deram origem a uma série de outros problemas que precisavam ser solucionados, como a exigência de pesquisa para novos metais para a constituição estrutural dos aviões, como foi o caso do titânio. Essa fabricação do titânio, tornou necessário a fabricação da matéria-prima por técnicas como laminação química, descarga elétrica, a abrasão sônica, entre outras necessidades.

Para o problema da velocidade criou-se uma solução, que enredou a inovação, problemas diversos daqueles iniciais. A renovação das tentativas facilitou o aspecto velocidade, mas ao mesmo tempo, foi aumentando enormemente as proporções do problema original – em seu aspecto de trabalho e custos.

 

O PENTAGRAMA DE SCHWARTZ

 

Para os amantes de tecnologias inovadoras, a quase-solução de tecnologia tornará o ambiente atual mais existente.

Não há como escapar ou pensar de forma ingênua de que não há relação com o tipo de sistema que você faz parte ou pretende implantar.

Para isso, e aos que procuram solucionar problemas operacionais e de fluxos em empresas com o uso da tecnologia, sugerimos a aplicação do raciocínio abaixo:

1.     Em vista das inter-relações e das limitações que existem dentro de um sistema fechado[3], uma solução tecno-social nunca é completa, portanto, uma quase-solução;

2.     Cada quase-solução gera um resíduo de novos problemas tecno-sociais que decorrem de: a) falta de completamento, b) aumento e c) efeitos secundários.

3.     Os novos problemas proliferam num ritmo mais rápido que o do surgimento de soluções capazes de os resolver

4.     Cada série sucessiva de problemas residuais é mais difícil de resolver do que os problemas anteriores em vista de sete fatores: a) dinâmica da tecnologia; b) aumento de complexidade; c) aumento de custo; d) diminuição de recursos; e) crescimento e expansão; f) necessidade de maior controle e g) inércia das instituições sociais.

5.     O resíduo de problemas tecno-sociais não resolvidos converge numa sociedade tecnológica adiantada para um ponto em que não são mais possíveis soluções tecno-sociais.

 

 PENSADORES E DESIGNERS

 

A concentração de soluções de tecnologia, fornecem um cardápio requintado aos consumidores de facilidades. As soluções que pretendemos adquirir são aquelas que suprem verdadeiramente nossas necessidades, embora tenhamos certa sedução pelas supérfluas, como parte da maturidade da escolha da melhor solução.

A euforia tecnológica é contrária a conscientização de verdadeiros problemas e perigos empresariais, especialmente em movimento de departamentalização em geral.

O aumento da especialidade técnica, nos tornam cegos em compreensão sistêmica e elasticidade da usabilidade da ferramenta em prol de uma eficiência que é minoritária, pois atingirá um único grupo adquirente da solução, enquanto os demais sofrerão os imbróglios da adequação forçosa.

Atualmente, há ambiente que possibilita a qualquer gestor harmonizar a função tecno-social das áreas em busca de uma melhoria integrada, como num sistema fechado, proposto por Schwartz. Não que se vislumbre uma curva perfeita, mas o impedimento de observações por especialistas em áreas sem que socorra integralmente todas as partes envolvidas.

A profissão do designer ganha relevo quando a técnica é insuficiente para a seleção harmonizadora. Isso porque, cada grupo elegerá o seu conceito próprio e gladiará com o outro que possui enfrentamento diverso de necessidades. Se antes, estávamos acostumados a enfrentar problemas pequenos da nossa particular vida em grupo, nossa necessidade de integração possui relevância para a mecânica integral pretendida pelas empresas.

As integrações suspiram os que exercem burocracias o dia todo, mas precisam ser pensadas. Os bancos de dados, outrora sigilosos, são compartimentados para melhorar eficiência e comunicação de um driven-by-data. Ou seja, vivemos numa sociedade acostumada a contribuir, embora queiramos eficiência para si.

Concluímos que no exercício de uma implantação sistêmica, o olhar externo pode contribuir com harmonizações impensáveis pelo técnico.

Também, pode aprimorar exercícios profissionais através de técnicas de fluidez corporativa, com o auxílio da quase-solução da tecnologia.

E o melhor de tudo: reumanizando as ferramentas da tecnologia, encarando-as como provedora de facilidades e não a solução em si mesmo, respeitando o progresso do ser humano na história: que não se olvida de conhecer, pela tentativa e erro, sua melhor criatividade.

[1] A tendência para instalar como o mais elevado valor o progresso técnico está ligada não só à ênfase excessiva que damos ao intelecto, mas também, e mais importante ainda, a uma profunda atração emocional pelo mecânico, por tudo o que não é vivo, por tudo o que é feito pelo homem. Essa atração pelo não-vivo, que, em sua mais extrema forma, é uma atração pela morte e pela corrupção, conduz, mesmo em sua forma menos drástica, à indiferença pela vida, em vez de à reverência pela vida. FROMM, Erich. A Revolução da esperança, p.58.

[2] SCHWARTZ, Eugene S. (1975). A inflação da técnica. Trad. Pinheiro de Lemos. São Paulo: Melhoramentos, 312 pp. (Série Hoje e Amanhã).

[3] Por muito tempo a ciência e a técnica foram tomadas como especialidades bem distintas. A fragmentação de tarefas que dificulta visão global ou sistemática, por muito tempo manteve alienados cientistas e tecnólogos. Nisto deve ter residido a dificuldade de se perceber que o mundo natural como um sistema fechado, totalmente interligado, onde cada coisa atua sobre as demais.

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